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Grande entrevista Jornal Mercado

“Em Angola, dada a dimensão do mercado, três operadores móveis chegam”

CEO da Multitel diz que operadora está pronta para a privatização, apesar de a conjuntura recente e as dívidas de clientes terem causado alguma desvalorização. Oferta da tecnologia LTE em cinco províncias, que Multitel acaba de lançar, permite velocidades de transmissão de dados dez vezes acima do actual, dando mais ‘musculo’ à Multitel para competir, incluindo no segmento de PME.

 

Multitel é uma das empresas onde o Estado vai alienar participações. Como estão a preparar-se para o processo?

 

Foi com orgulho que verificámos que estamos na lista das 32 empresas apontadas pelo programa de privatizações como de referência. Temos 50% de capital do Estado – 30% da Angola Telecom (AT) e 20% do BCI - , e é essa a participação a vender.

 

A Oi/Altice, que tem 40%, não quer sair?
Não deu sinais nesse sentido, nem nos pediu dados para due dilligence, mas, no futuro, tendo em conta este novo enquadramento, julgo que a empresa estará a olhar para o dossier, até porque, como sabe, tem também um papel preponderante na Unitel [participação de 25%], tendo a sua gestão executiva, e poderá procurar até uma solução de ‘empacotamento’ das duas participações.
Mas na Multitel tem também direito de preferência...
Sim, em ambas. Poderá acontecer muita coisa, mas, neste momento, não temos nenhum sinal e desejo de alienação imediata.

 

Já sabiam há muito tempo que o Estado ia sair?
Este processo iniciou-se há algum tempo, quando o Estado começou a fazer o chamado Livro Branco das Telecomunicações, onde já referia o interesse de alienar as suas participações em praticamente todas as empresas do sector. Portanto, não foi com muito espanto, havia já este sinal, mas não fomos informados antecipadamente, apenas uns dias antes do anúncio público.
Como vai ser o processo?
No caso da Multitel, será por leilão em bolsa, mas num bloco indivisível de 50%.

 

É um leilão aberto ou por convite?
Não tenho ainda a certeza.

 

Portanto não haverá um lote para os colaboradores?
Que saibamos, não está previsto.

 

Já tem data?
Sabemos apenas que será em 2020.

 

Internamente, o que estão a fazer para este processo?
Temos a informação organizada, eventualmente poderemos ter que actualizar alguma, por exemplo, em termos de licenças, ou a outros níveis. Basicamente o que está em causa é preparar um dossier com alguma complexidade ao nível económico, financeiro, patrimonial, organizativo e legal.

 

Têm um património apreciável?
Temos uma rede própria, que tem um valor reflectido no nosso balanço...

 

Com cobertura nacional?
Não, a não ser através da plataforma de VSat, como aliás ocorre na maior parte das empresas.

 

Têm fibra?
Sim, e Wimax e agora o LTE.

 

Isso é recente?
O LTE é uma das nossas grandes novidades, com início de comercialização a 1 de Setembro.

 

Qual é a mais-valia?
A capacidade, desde logo. Por exemplo, na sua versão mais simples, permite atingir velocidades de download de 100 MB e de upload, de 50 MB, o que compara com uma capacidade actual máxima de 10 MB. E vai ainda aumentar substancialmente a população coberta, pois iremos abranger as cinco maiores províncias – Luanda, Benguela, Cabinda, Huambo e Huíla. Com o VSat cobrimos a totalidade do território, ainda que com algumas limitações de banda, próprias desta tecnologia.

 

Vão migrar clientes para o LTE ou é apenas para novos entrantes?
Podem acontecer as duas situações.

 

O investimento foi elevado?
O investimento – creio que superior a 10 milhões USD - foi feito sobretudo pelo nosso accionista AT, na sequência de uma decisão tomada em 2017. Trata-se de uma tecnologia da Nokia, recente.

 

A rede fica com vocês ou com a AT, após a privatização?
Há uma lógica de partilha de infra-estruturas, algo que, “ Multitel será privatizada com o leilão em bolsa de uma participação indivisível contendo os 50% que estão hoje entre a Angola Telecom e o BCI aliás, o Estado, através do INACOM, tem vindo a defender. Existe um grupo, a Infracom, onde todos os meses discutimos a situação da partilha, até para evitar erros do passado, de duplicação ou triplicação de infraestruturas.

 

Olham para a partilha de forma pacífica?
Sim, todos nós no sector.

 

Acha mais previsível que a Oi reforce a posição ou que surja um novo accionista?
Não consigo responder a essa questão. Mas parece-me que o desenho actual da privatização aponta para o surgimento, numa primeira fase, de um novo investidor. Não quer dizer que esse novo investidor, ao comprar, não vá depois recorrer à bolsa para disseminar o capital, pode fazê-lo. Também depende de ser um investidor do sector das telecom, ou com um perfil mais financeiro, mais especulador, como se costuma dizer.

 

Ainda assim, quem entrar não terá o controlo da empresa pois só terá 50%...
Isso poderá passar por algumas negociações posteriores, até porque há 10% disseminados por três pequenos accionistas.

 

Veria mais facilmente a entrada de um investidor nacional ou estrangeiro?
Tenho a percepção de que, se aparecer um investidor de capital, eventualmente poderá ser local.

 

Acompanhe a entrevista completa na versão impressa do Jornal Mercado link:
https://mercado.co.ao/grandes-entrevistas/em-angola-dada-a-dimensao-do-mercado-tres-operadores-moveis-chegam-FB704632



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